Cultura é pertencimento, motivação e perspectiva. O Observatório Fundação Itau com apoio do Datafolha, realizou uma importante pesquisa em todas regiões do país para entender os hábitos culturais do povo brasileiro que vive nas capitais. Os dados refletem as particularidades e as desigualdades relacionadas à realização de atividades culturais. A pesquisa indica o quanto é necessário politicas publicas culturais, articuladas com questões de mobilidade urbana, segurança publica e capacidade de consumo, para garantir acesso à todos.
Alguns dados:
Nos últimos 12 meses a população realizou mais atividades culturais de forma remota do que presencialmente. Houve uma queda generalizada na frequência de atividades culturais fora de casa agravada com a pandemia em 2020 e não retomada. O público passou a priorizar hábitos essencialmente domésticos, impulsionados pela internet e pelo consumo eletrônico;
quanto maior a escolaridade e a classe econômica, maior a participação em eventos culturais;
no acesso às salas de cinema e diferença é 40% entre as classes mais favorecidas e as menos;
embora as mulheres demonstrem maior interesse teórico por manifestações artísticas e sejam as principais consumidoras de livros, o acesso prático delas a eventos externos é inferior ao dos homens. O estudo aponta que a sobrecarga com o cuidado dos filhos e tarefas domésticas limita seu tempo de lazer cultural;
enquanto equipamentos tradicionais perderam público, o consumo de jogos eletrônicos se consolidou como uma das atividades culturais de maior crescimento nas capitais.
"É preciso acabar com essa história de achar que a cultura é uma coisa extraordinária. Cultura é ordinária! Cultura é igual feijão com arroz, é necessidade básica. Tem que estar na mesa, tem que estar na cesta básica de todo mundo."
Gilberto Gil (Entrevista para Reuters, 2003)
