Como assim descartar remédios e drogas no vaso sanitário? Ou bitucas de cigarro no chão? Ou as reformas que começam destruindo tudo com marretas? Cadê a consciência socioambiental? Se a arte reflete a vida e molda comportamentos, o audiovisual precisa entender que romantizar o desperdício e a sujeira não é estético, e sim o ápice do atraso.
Roteiristas sempre usaram a destruição ou o descarte de objetos para ilustrar o caos interno de uma personagem, mas em tempos de consciência ambiental urgente essas cenas são inaceitáveis. Em 'Superman III' (1983), víamos o herói corrompido furar o tanque de um navio petroleiro e despejar óleo no mar, por puro capricho. Décadas depois, o padrão ainda se repete em obras como a série 'Euphoria', com uma mala de narcóticos sendo despejada na descarga; na falsa rebeldia nostálgica de 'Stranger Things', salpicando o chão de plástico e nicotina; ou no fetiche destrutivo de transformação imobiliária que vemos em 'Barbie' e em outros vários programas de entretenimento. A arte precisa de liberdade, mas a criação também implica em consciência e certas questões são indiscutíveis.
E você, lembra de alguma cena desse tipo?
