A contracultura é um movimento social e comportamental que surge quando a juventude decide rejeitar as regras, o consumismo e o estilo de vida da sociedade tradicional, propondo novas formas de liberdade, arte e convivência. No Brasil dos anos 70, durante a Ditadura Militar, esse movimento ganhou contornos únicos através de uma resistência baseada na revolução dos costumes. Em vez da militância política convencional, artistas e jovens desafiavam o sistema através do corpo, dos cabelos compridos, da vida em comunidades alternativas e de uma explosão musical simbolizada pela Tropicália e pela vida comunitária dos Novos Baianos, provando que a liberdade também se conquistava no modo de viver o cotidiano.
O delicioso documentário "Nem Tudo é Paz e Amor" (2025) é uma obra que aborda os bastidores e os reflexos desse tempo sob a ótica dos filhos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, Baby do Brasil, Pepeu, Moraes Moreira, Itamar Assumpção entre outros. O próprio diretor, Betão Aguiar, é filho do grande Paulinho Boca de Cantor, dos Novos Baianos, por isso o recorte dessa história é surpreendente. Em vez de focar no óbvio que é o brilhantismo musical e estético desses ícones, a narrativa aborda como foi, na prática, crescer em meio a ideais de liberdade extrema, psicodelia, nudez e resistência à Ditadura Militar enquanto se é apenas uma criança precisando de papinhas, fraldas e rotinas escolares. O filme constrói um mosaico honesto a partir dos relatos.
Eu simplesmente adorei porque essa turma sempre me fascinou. Ao contrário deles fui criada sob regras rígidas e conservadoras sempre pautada no que os outros vão dizer. Eu vivia uma ditadura dentro de casa com direito a ameaças e castigos. As boas lembranças surgem das situações onde eu conseguia escapar da vigilância, fosse em festas, viagens ou casa de amigos. A música desses caras, que comecei a entender por volta dos 11 anos, foram as que abriram a percepção de que havia outras formas de ser e de estar. Com eles soube que existia censura, a mesma que vivia em casa mas que também existia a paz e o amor.
Viva a Música Brasileira, a liberdade e nossos artistas geniais!!
Direção: Betão Aguiar
Ideia Original: Jasmin Pinho
Produção Executiva: Betão Aguiar e Minom Pinho
Produtoras: Casa Redonda e Zapipa Produções
Distribuição: Pandora Filmes
Financiamento e Apoio: Ancine / Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) / BRDE [1]
Entrevistados Principais:
Moreno Veloso
Nara Gil
Sarah Sheeva
Beto Lee
Anelis Assumpção
Marília Aguiar
