Mulheres Coreanas, Coletividade e Tradição


Existe algo fascinante em comunidade de mulheres. Seja no passado com as sociedades matriarcais ou no presente com cooperativas e coletivos. Mulheres quando se unem criam estruturas horizontais onde todas são incluídas. Venho pesquisando esses grupos e descobri mais um ao visitar no Centro Cultural Coreano, a exposição: 'Sopro do Mar: Jeju Haenyeo, mulheres e coletividade'. Jeju é uma ilha e Haenyeo quer dizer 'mulheres no mar' que ganham a vida colhendo frutos como abalones, ouriços e polvos de forma artesanal e somente para consumo. Conhecidas por sua resistência física e por sua estrutura social matriarcal, são reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

A característica mais impressionante do grupo é o mergulho em apneia. Elas submergem em águas frias e perigosas a profundidades de 10 a 20 metros segurando a respiração, apenas com o ar dos próprios pulmões, sem o uso de tanques de oxigênio ou qualquer suporte mecânico moderno. Com roupas de mergulho simples, óculos de proteção, pesos de chumbo e ferramentas manuais elas se lançam para arrancar os moluscos das rochas subaquáticas. Cada mergulho dura em média um minuto, e elas repetem isso por até sete horas diárias. A atividade é liderada essencialmente por mulheres idosas (muitas com mais de 70 ou 80 anos), que organizam o trabalho em cooperativas comunitárias, cuidando umas das outras e protegendo a ecologia marinha local. O lema delas é nenhum sopro é solitário pois uma cuida da outra.

Os registros indicam que essa iniciativa começou antes do seculo XVII, e se deu para garantir o sustento das familias, assim elas acabaram por se tornar a principal força economica da ilha. Por ser um trabalho bruto, exaustivo e perigoso, a juventude da Coreia tem buscado outras profissões, por isso a cultura das Haenyeo pode estar vivendo a sua última geração. O trabalho é pesado mas a união e alegria delas emociona.