Suas obras monumentais cobrem áreas de cerca de 100 m² sem usar absolutamente nenhuma ferramenta de medição, cordas, estacas, bússolas ou GPS. Ele calça um par de pequenos esquis nos pés e simplesmente começa a caminhar intuitivamente.Cada passo que ele dá compacta a neve sob os esquis, criando sulcos e sombras. Dessa caminhada solitária, surgem quilômetros de linhas retas e curvas perfeitas que formam mandalas e desenhos geométricos inacreditáveis, que só podem ser compreendidos em sua totalidade quando vistos de cima.
O fazer artístico de Kajiyama exige um esforço físico brutal. Ele inicia suas intervenções na madrugada profunda, sob um silêncio congelante, enfrentando nevascas severas onde a neve chega a bater na altura de sua cintura. Se ele hesitar por um único segundo ou der um passo em falso na direção errada, a linha reta é destruída e a obra inteira se perde. É uma arte puramente meditativa, efêmera e baseada na entrega do corpo. Fiquei profundamente tocada com a beleza desse processo.
