Esses dias assisti a 'Ritas', um documentário muito bom dirigido por Oswaldo Santana e codirigido por Karen Harley. Rita Lee foi cantora, compositora e a primeira em atitude e liderança de banda. Além de um jeito muito próprio de interpretar e compor, seus álbuns contavam histórias de desejo e liberdade, principalmente para as mulheres. Irreverente, linda, engraçada e sem papas na língua, ela marcou gerações.
Me conectei a ela desde o seu primeiro álbum, Rita Lee & Tutti Frutti – Fruto Proibido. Ganhei no meu aniversário de 11 anos e me fascinava aquela mulher sensual da foto. As letras que eu cantava animadamente já falavam dos dilemas que eu começava a enfrentar, os mesmos que toda mulher enfrenta em uma sociedade machista. Algumas frases mexiam comigo mesmo sem ter maturidade para entender exatamente porque:
"Um belo dia resolvi mudar, e fazer tudo o que eu queria fazer..."
"Dance, dance, dance. Gaste um tempo comigo. Não, não tenha juízo..."
"Você é a ovelha negra da família. Agora é hora de você assumir ou sumir..."
Tudo embalado em um rock 'n' roll delicioso.
Então, umas duas décadas depois, entendi o sentido do termo 'Ovelha Negra', entendi Rita Lee e entendi o contexto no qual nós, mulheres, somos moldadas.
Rita, em sua autobiografia, deixou o seguinte comentário:
"Meu epitáfio será: nunca foi um bom exemplo, mas era gente fina!"
Sim,gente fina demais e nascida na Vila Mariana como eu, bravo Rita!!
Obs: As fotos acima foram tiradas pelo meu marido, que na época era estudante de fotografia, logo após a saída dela da prisão, ainda grávida, em 1976.
